Viajar para o exterior e conhecer várias cidades na mesma viagem pode ser uma experiência incrível, mas também exige um pouco mais de planejamento do que simplesmente escolher um destino e comprar uma passagem convencional de ida e volta.
Quando o roteiro envolve várias cidades, uma das decisões mais importantes é definir a ordem das cidades visitadas. Afinal, não basta pensar apenas em quais lugares visitar: é preciso considerar os custos das passagens e, principalmente, o tempo gasto nos deslocamentos ao longo da viagem.
Uma maneira prática de organizar esse planejamento é avaliar entre os modelos Ida e Volta ou Multi-Cidades (Open-Jaw).
Apresentamos aqui três modelos básicos de roteiro. Os dois primeiros trabalham com dois grandes deslocamentos (normalmente aéreos), enquanto o terceiro utiliza o conceito de multi-cidades, com o voo de ida chegando por uma cidade e o voo de volta partindo de outra.
Modelo 1: Chegar à cidade-base e começar a viagem pelo ponto mais distante
Neste primeiro modelo, a viagem começa com um voo internacional até uma cidade-base. Após o desembarque ou uma curta permanência, o viajante realiza um segundo deslocamento longo — normalmente de avião — até a cidade mais distante do seu roteiro.
A partir daí, a viagem começa efetivamente a retornar em direção à cidade-base, passando por várias cidades intermediárias e fazendo deslocamentos relativamente curtos (de trem ou carro).

Exemplo Prático: A cidade 1 é o ponto de origem (Brasil) e a cidade 2 é a base da viagem (ex: Lisboa). O viajante chega até ela de avião, segue para a cidade 3 que está mais distante (ex: Berlim), e então inicia o percurso de volta por terra, passando pelas cidades 4, 5 e 6 (ex: Frankfurt, Paris, Madri), até retornar à cidade 2 e embarcar no voo internacional de volta para casa.
Por que esse modelo funciona bem?
- Aproveitamento da disposição inicial: Uma das principais vantagens é concentrar os dois maiores deslocamentos logo no início da viagem, quando o viajante ainda está 100% descansado.
- Margem de manobra contra imprevistos: Se o voo para a cidade mais distante sofrer atraso ou cancelamento, ainda há muitos dias de viagem pela frente para reorganizar o roteiro sem comprometer o retorno ao Brasil.
- Deslocamentos decrescentes: Após o segundo voo, os trechos passam a ser curtos e rápidos, aproximando o viajante gradualmente do aeroporto final.
As principais desvantagens
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Início cansativo: O viajante precisa encarar dois deslocamentos relevantes em sequência logo nas primeiras 24 a 48 horas da viagem (imigração, bagagens e conexão).
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Custos invisíveis: Deslocamentos com companhias Low Cost não incluem bagagem (nem de mão!), e geralmente são operadas em aeroportos diferentes do aeroporto principal da cidade, mais distantes do centro, podendo gerar custos de transporte que eliminam toda a economia feita com a tarifa do voo.
Modelo 2: Começar perto e deixar o grande deslocamento para o final
Uma alternativa é fazer o caminho inverso: o viajante desembarca na cidade-base e, em vez de partir imediatamente para o ponto mais distante, inicia a exploração por cidades próximas. O roteiro vai avançando gradualmente, com deslocamentos menores, até alcançar o ponto mais distante da rota.
Ao final, o viajante retorna diretamente à cidade-base para pegar o voo internacional de volta ao Brasil.

A vantagem: Uma viagem com ritmo suave no início
- Chegada sem correria: Você desembarca do voo internacional longo e já inicia o turismo local ou trechos curtos, sem o estresse de uma conexão aérea imediata.
- Sequência geográfica linear: Facilita a adaptação ao fuso horário (jet lag) nos primeiros dias.
O risco: Cansaço acumulado na etapa mais crítica
- Desgaste no retorno: Após dias trocando de hotel, carregando bagagem e caminhando bastante, o viajante terá que fazer um voo longo de retorno à base poucas horas antes do voo internacional para o Brasil.
- Dica de segurança: Nunca deixe o deslocamento longo de volta para o mesmo dia do voo internacional. Retorne à cidade-base com pelo menos 24 horas de antecedência.
Modelo 3: Viagem Multi-Cidades (Open-Jaw)
O terceiro modelo é o mais eficiente no papel: em vez de comprar ida e volta pela mesma cidade, você compra uma passagem Multi-Cidades (conhecida como Open-Jaw), onde o voo de ida chega por uma cidade e o de volta parte de outra totalmente diferente.

Exemplo Prático: Você desembarca em Paris (Cidade 2), viaja de trem passando por Bruxelas (3), Amsterdã (4) e Berlim (5) até chegar em Praga (6), de onde embarca diretamente no voo de volta para o Brasil — sem precisar gastar tempo nem dinheiro voltando para Paris!
A grande vantagem: Zero tempo e dinheiro desperdiçados com retrocessos
- Eficiência máxima de tempo: Elimina a necessidade de retornar centenas de quilômetros apenas para pegar o voo de volta.
- Mais cidades aproveitadas: O tempo que seria perdido voltando à cidade de origem se transforma em mais um dia de passeios.
A armadilha: Precificação das companhias aéreas
- Nem sempre a tarifa multi-cidades é barata. Companhias aéreas utilizam algoritmos de precificação complexos. Raramente um bilhete multi-cidades custa um valor semelhante ao de uma ida e volta tradicional, mas em países menores e próximos, como na Europa, podem existir combinações que valem a pena.
- A decisão deve sempre comparar o custo total real (preço da passagem + hospedagens extras + passagens de trem de conexão).
Como Decidir o Melhor Formato na Prática?
Antes de emitir suas passagens, siga este passo a passo:
- Liste e localize todos os destinos: Coloque todas as cidades no mapa para entender a distância real entre elas.
- Simule os 3 cenários nas ferramentas de busca de voos:
- Confira a cotação Ida e Volta tradicional pela Cidade Base (Modelos 1 e 2).
- Adicione a cotação do voo Cidade base até destino mais distante (só ida).
- Compare com a cotação do voo "Várias Cidades / Múltiplos Destinos" (Modelo 3).
- Calcule os custos invisíveis: Some o valor de trens internos, bagagens extras em voos regionais low-cost e possíveis noites adicionais de hotel necessárias apenas para pernoitar antes do voo de volta.
- Considere seu tempo As vezes uma economia pequena não compensa as horas perdidas em trânsito e salas de embarque.
Resumo (TL;DR): O primeiro modelo concentra os grandes voos no começo, quando sua energia está no auge. O segundo distribui o roteiro de forma progressiva, mas exige cuidado redobrado no retorno final. Já o terceiro (multi-cidades) é o campeão de eficiência geográfica quando a diferença de tarifa aérea for pequena.
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