Wise, Nomad, Revolut e ARQ: como usar contas internacionais para viajar pela Europa
Durante muito tempo, preparar uma viagem para a Europa significava fazer uma conta complicada: comprar euros em espécie, levar um cartão de crédito internacional e torcer para que a combinação de câmbio, tarifas e limites não transformasse a viagem em uma surpresa financeira.
Esse cenário mudou bastante.
Hoje, contas internacionais e carteiras multimoeda permitem chegar à Europa com euros — ou outras moedas — já disponíveis em uma conta digital, utilizar um cartão de débito internacional e, principalmente, repor o saldo durante a própria viagem.
Entre as alternativas disponíveis para brasileiros estão serviços como Wise, Nomad, Revolut e ARQ, cada um com características próprias.
Mais do que escolher uma empresa, porém, vale entender a lógica desse tipo de serviço e como ele pode mudar a maneira de organizar financeiramente uma viagem.
A Europa está cada vez mais preparada para pagamentos com cartão
Uma das principais mudanças para quem viaja pela Europa é a evolução dos meios de pagamento.
Países europeus que tradicionalmente tinham uma relação mais forte com dinheiro em espécie passaram a oferecer uma disponibilidade muito maior de pagamentos eletrônicos.
Isso significa que, para grande parte de uma viagem pela França, Itália, Espanha, Portugal e outros países europeus, já não é necessário carregar grandes quantidades de dinheiro.
Hotéis, restaurantes, supermercados, lojas, atrações turísticas, transportes e outros serviços estão cada vez mais preparados para cartões.
Um destaque é para o uso do cartão em modo de aproximação para o pagamento de transporte público em algumas cidades europeias, o que torna a experiência ainda mais prática.
E a Alemanha?
A Alemanha merece uma observação especial.
O país também está avançando rapidamente nos pagamentos eletrônicos, mas ainda apresenta uma relação bastante forte com o dinheiro físico.
Segundo o Bundesbank, 55% das compras registradas em 2025 já foram realizadas por meios de pagamento sem dinheiro, contra 45% em espécie. Foi a primeira vez que os pagamentos sem dinheiro ultrapassaram o dinheiro vivo no levantamento.
Mesmo assim, o dinheiro continua sendo muito relevante. O Bundesbank identificou que o dinheiro era aceito em 94% das compras presenciais pesquisadas, enquanto os pagamentos sem dinheiro estavam disponíveis em 86% delas.
Ou seja: a Alemanha está mudando, mas ainda é um país em que vale a pena manter algum dinheiro em espécie como alternativa.
Isso é especialmente importante para o viajante que pretende visitar cidades menores, estabelecimentos tradicionais ou situações em que o cartão pode não ser aceito.
O que é uma conta internacional?
A ideia é relativamente simples.
Em vez de depender exclusivamente de um cartão de crédito brasileiro, você mantém uma conta ou carteira digital que permite guardar dinheiro em moedas estrangeiras e utilizá-lo diretamente no exterior.
Dependendo da instituição, é possível:
- manter saldo em euro;
- manter saldo em dólar;
- manter várias moedas simultaneamente;
- converter reais para moeda estrangeira;
- converter uma moeda estrangeira para outra;
- utilizar cartão físico;
- utilizar cartão virtual;
- fazer pagamentos por aproximação;
- realizar saques;
- acompanhar os gastos pelo aplicativo;
- adicionar dinheiro durante a viagem.
A Wise, por exemplo, permite manter dezenas de moedas em uma conta multimoeda e utilizar o cartão para pagamentos em diferentes países.
A Nomad passou a oferecer também saldo em euro em 2026, permitindo manter dólares e euros na mesma Conta Internacional.
A Revolut trabalha com diversas moedas e permite que pagamentos internacionais sejam feitos a partir dos saldos disponíveis, realizando conversões quando necessário, de acordo com suas regras.
Já a ARQ oferece cartão Global vinculado principalmente aos saldos em USDc e EURc, podendo realizar pagamentos internacionais em diferentes moedas.
Por que não simplesmente usar o cartão de crédito?
O cartão de crédito tradicional continua sendo uma ferramenta importante para viagens internacionais e pode ser interessante para determinadas despesas, principalmente quando oferece benefícios, seguros ou programas de pontos, mas o IOF cobrado adiciona custos extras que podem ser evitados, além de realizar a conversão de moeda para o Real usando taxas que muitas vezes não são tão favoráveis.
Você também fica mais exposto à variação da moeda. Se o euro subir durante a viagem, seus custos em Real aumentam.
A diferença para uma conta internacional é que você pode iniciar a compra dos Euros de forma antecipada e sempre que identificar uma boa cotação. O objetivo é reduzir a dependência de uma única cotação em um único dia.
A viagem pode começar muito antes do embarque
Essa talvez seja uma das funcionalidades mais interessantes dessas contas para quem gosta de planejar viagens.
A reserva financeira da viagem não precisa começar quando a passagem aérea é comprada.
Ela pode começar meses — ou até anos — antes.
Se você sabe que pretende fazer uma viagem internacional no futuro, pode começar a formar gradualmente uma reserva em moeda estrangeira.
Isso cria uma espécie de fundo de viagem internacional.
Imagine que você queira fazer uma viagem para a Europa daqui a dois anos.
Em vez de deixar todo o dinheiro necessário em reais até a semana da viagem, pode destinar pequenas quantias periodicamente para sua reserva em euro.
A Wise, por exemplo, permite adicionar dinheiro aos saldos de diferentes moedas e convertê-las posteriormente.
Isso transforma o planejamento financeiro da viagem em algo contínuo, e não em uma operação financeira concentrada poucos dias antes do embarque.
E se o euro acabar durante a viagem?
Essa é uma das grandes vantagens em relação ao dinheiro em espécie.
Imagine que você tenha planejado gastar €100 por dia, mas esteja gastando €130.
Depois de uma semana, percebe que o saldo disponível está ficando perigosamente baixo.
Com dinheiro físico, você teria que encontrar uma casa de câmbio ou um caixa eletrônico, e essa opção geralmente oferece péssimas taxas de conversão, além de possibilidades de golpes se usadas opções menos formais.
Com uma conta internacional, normalmente é possível adicionar dinheiro pelo aplicativo via PIX, fazer uma nova conversão e continuar utilizando o cartão.
Na Wise, por exemplo, o usuário pode adicionar reais e convertê-los para euro pelo próprio aplicativo; segundo a empresa, o saldo pode ficar disponível em segundos em operações que não demandem análises adicionais.
Essa possibilidade é particularmente útil para viagens longas.
É possível ter mais de uma conta
Outra possibilidade interessante é utilizar mais de um serviço.
Por exemplo:
Conta principal: uma conta multimoeda como Wise, Nomad ou Revolut.
Cartão de crédito: cartão brasileiro habilitado para utilização internacional.
Dinheiro físico: pequena quantidade de euros.
Essa estratégia reduz a dependência de uma única instituição ou cartão.
Se um cartão for perdido, bloqueado ou apresentar algum problema, existe uma alternativa.
Em viagens internacionais, isso é mais importante do que simplesmente procurar a menor taxa de câmbio.
Wise
A Wise tem como característica central a conta multimoeda. Atualmente permite manter dezenas de moedas e utilizar um cartão internacional conectado aos saldos. O envio do cartão físico é feito muito rapidamente após a abertura da conta.
Para quem tem interesse em manter o valor aplicado com a Wise, além do interesse no uso em viagens, é possivel habilitar a função Rende Mais, que transforma a conta em "Caixinha" com rendimento, e permite que as conversões para a moeda estrangeira cobre apenas 1,1% de IOF.
É particularmente interessante para quem pretende viajar por diferentes países ou trabalhar com várias moedas.
Se tiver interesse em abrir sua conta com a Wise, utilize nosso link de convite e apoie a evolução do PlanoViajar.
Manter euros ou dólares mesmo sem uma viagem marcada
Existe ainda uma utilização dessas contas que vai além do turismo.
Para algumas pessoas, manter uma pequena parcela do dinheiro em moeda estrangeira pode funcionar como uma forma de diversificação.
Isso não significa que dólar ou euro sejam investimentos automaticamente melhores ou que sempre irão se valorizar frente ao real.
Moedas também oscilam e podem perder valor em determinados períodos.
Mas existe uma diferença importante entre manter todo o patrimônio exposto exclusivamente ao real e possuir uma parcela em moedas estrangeiras.
Historicamente, o real apresentou períodos de forte desvalorização frente ao dólar e ao euro. Por isso, para quem tem despesas futuras em moeda estrangeira — viagens, estudos, compras internacionais ou uma possível mudança para outro país — manter parte da reserva na própria moeda da despesa pode reduzir o risco de precisar fazer toda a conversão justamente em um momento desfavorável.
Para quem viaja regularmente, isso pode fazer ainda mais sentido.
Se você costuma fazer uma viagem internacional todos os anos, por exemplo, uma conta em moeda estrangeira pode funcionar continuamente como uma reserva para a próxima viagem.
Você viaja, utiliza parte do saldo e, depois, começa novamente a reconstruir a reserva.
Quanto dinheiro levar em espécie?
Mesmo em uma Europa cada vez mais digital, ainda vale ter algum dinheiro físico.
Não necessariamente centenas de euros.
Uma pequena reserva pode ser suficiente para situações como:
- estabelecimentos que não aceitam cartão;
- pequenos comerciantes;
- gorjetas;
- máquinas ou serviços que apresentem problemas;
- falhas temporárias no sistema de pagamento;
- situações em que o cartão seja recusado.
Na Alemanha, essa recomendação merece atenção especial, justamente porque o dinheiro ainda apresenta uma aceitação muito ampla.
Para os demais destinos, a quantidade necessária pode ser ainda menor, dependendo do roteiro.
Antes de viajar
Independentemente da conta escolhida, confira sempre:
- cotação e spread praticados;
- IOF e demais impostos;
- tarifas de saque;
- limites de utilização;
- disponibilidade de euro e outras moedas;
- funcionamento do cartão no exterior;
- possibilidade de adicionar dinheiro durante a viagem;
- existência de cartão virtual;
- alternativas em caso de perda ou bloqueio do cartão;
- e as condições vigentes no aplicativo no momento da conversão.
A melhor estratégia para uma viagem internacional não é depender de uma única forma de pagamento. É combinar planejamento, moeda estrangeira, cartão e uma pequena reserva de emergência.
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