Planejar uma viagem para o exterior é, em boa parte, um exercício de organização e clareza — e para quem sai do Brasil existe um ingrediente extra essencial: o câmbio.
"Quem converte não se diverte?"
Somos contra essa ideia. Você deve, sim, aproveitar as suas férias sem ficar obcecado a cada café comprado, mas aceitar qualquer custo por falta de conhecimento ou planejamento é um desperdício. Ter um método claro é a diferença entre viajar várias vezes ou transformar a viagem em um evento raro e excessivamente caro.
O que é uma Eurotrip e quanto custa viajar para a Europa?
Resumo Rápido: Eurotrip é o termo popular para uma viagem que percorre múltiplos destinos ou países no continente europeu em um mesmo itinerário (combinando, por exemplo, França, Bélgica, Holanda ou Itália). Um orçamento econômico a moderado gira em torno de € 40 a € 60 por pessoa/dia (para alimentação, transporte urbano e passeios), somado aos custos fixos prévios de passagens aéreas internacionais (R$ 4.000 a R$ 5.500) e hospedagens (€ 70 a € 140/diária para casal em hotéis bem localizados).
A seguir, apresentamos o passo a passo estruturado para tirar sua Eurotrip do papel com o máximo de economia e conforto.
1. Comece pela pergunta mais importante: quanto tempo e quanto dinheiro?
Antes de pesquisar passagens, defina três parâmetros básicos:
- Quantos dias você pretende viajar (uma Eurotrip clássica costuma durar de 10 a 20 dias);
- Qual época do ano é viável (baixa e média temporada entre março/maio e setembro/outubro costumam oferecer melhor custo-benefício que o alto verão europeu);
- Quanto você consegue guardar por mês até a data do embarque.
Em vez de encarar o valor da viagem como um bloco financeiro único, separe os gastos em duas etapas:
- Custos Pré-Embarque (em Reais): Passagem internacional, hospedagens e trechos internos de trem ou avião. Podem ser parcelados e pagos meses antes.
- Custos Locais (em Moeda Estrangeira): Alimentação, transporte local, compras e ingressos.
Vantagem psicológica: Quanto mais da viagem estiver quitada antes de colocar os pés no avião, menos a oscilação do câmbio no dia a dia vai tirar a sua paz durante as férias.
2. Escolha primeiro a porta de entrada
Algumas capitais europeias costumam ter passagens aéreas a partir do Brasil com tarifas consideravelmente melhores, e nem sempre seguindo uma lógica geográfica óbvia. É muito frequente encontrar voos para Milão, Roma ou Frankfurt mais baratos do que para Lisboa e Madri. Paris, embora seja uma das portas de entrada mais procuradas, costuma registrar tarifas mais elevadas.
Identifique primeiro o aeroporto de entrada mais econômico e estruture a rota ao redor dele.
Opção A — Ida e volta pela mesma cidade (Circuito Circular)
Exemplo: São Paulo → Lisboa → Madri → Paris → Lisboa → São Paulo

Opção B — Múltiplos Destinos (Open Jaw)
Exemplo: São Paulo → Lisboa → Madri → Paris → São Paulo (retornando direto ao Brasil a partir da última cidade)

Na modalidade Open Jaw (múltiplas cidades), você desembarca por uma cidade e volta ao Brasil a partir de outra, sem o custo de tempo e passagens internas para retornar ao ponto de origem.
Para se aprofundar na comparação estratégica entre esses formatos, confira nosso artigo detalhado sobre 3 modelos práticos de montagem de roteiros low cost.
3. Não procure apenas "a passagem aérea mais barata"
Uma passagem com tarifa anunciada de R$ 4.000 nem sempre é mais vantajosa que uma de R$ 4.700. Analise se a opção barata vai exigir:
- Conexões excessivamente longas ou pernoites não planejados;
- Desembarque em aeroportos secundários muito distantes da cidade;
- Custos adicionais com despacho de malas e transfers noturnos.
Fórmula do Custo Real:
Passagem aérea + Bagagens despachadas + Deslocamento aeroporto-centro + Eventuais noites extras de hotel
4. Monte o roteiro combinando trens, ônibus e companhias low-cost
Depois de definir a chegada e a saída da Europa, organize os deslocamentos internos.
Em rotas clássicas como Paris, Bruxelas e Amsterdã ou os trajetos entre cidades italianas (trens pela Itália), o trem de alta velocidade quase sempre ganha do avião, pois leva você de centro a centro, sem as taxas extras de bagagem e a burocracia dos aeroportos.
Para trechos mais longos com foco em economia máxima, os ônibus intermunicipais são imbatíveis. Veja nosso guia de como utilizar ônibus low cost na Europa (FlixBus e BlaBlaCar).
5. Use a lógica geográfica para economizar tempo e dinheiro
O melhor roteiro não é aquele que acumula carimbos no passaporte no menor tempo possível, mas aquele que reduz o tempo desperdiçado em salas de embarque e estradas.
Agrupe cidades próximas por região ou bacias de transporte:
- Espanha & Portugal: Lisboa → Porto → Madri → Barcelona;
- Itália Clássica: Roma → Nápoles → Florença → Veneza;
- Centro-Oeste Europeu: Paris → Bruxelas → Bruges → Amsterdã.
6. Câmbio e Cartões Internacionais: Planeje em Reais, Gaste na Moeda Local
Para evitar sustos na conversão:
- Defina uma meta total em Reais (exemplo: R$ 18.000);
- Estabeleça uma média diária em Euros (exemplo: € 60/dia por pessoa para refeições e despesas correntes).
Esqueça o uso prioritário de cartões de crédito convencionais emitidos por bancos tradicionais no Brasil, que cobram IOF elevado e spreads cambiais pesados. Utilize contas globais multimoedas. Leia nossa análise completa sobre as melhores contas e cartões para usar no exterior (Wise, Nomad, Revolut).
7. Hospedagem: Reserve estrategicamente com antecedência
A acomodação é geralmente o segundo maior custo da viagem. Priorize sempre reservas com cancelamento gratuito para garantir flexibilidade caso seu itinerário sofra ajustes.
Verifique também a proximidade com estações centrais de metrô ou trem para economizar em transportes urbanos diários. Veja nossas recomendações completas em como reservar hotel na Europa com segurança e economia.
8. Documentos Obrigatórios: Passaporte, Seguro Schengen e Vistos
Antes de fechar compras não reembolsáveis, confira as regras de entrada:
- Validade do Passaporte: A maioria dos países europeus exige que o documento tenha pelo menos 3 meses de validade além da data prevista de saída. Veja todos os detalhes em nosso guia de validade do passaporte para viagens internacionais.
- Seguro Viagem Obrigatório: Para entrar nos países do Tratado de Schengen, turistas brasileiros devem obrigatoriamente possuir uma apólice de seguro com cobertura mínima de € 30.000 para assistência médica. Saiba mais no guia do Seguro Viagem Schengen.
- Controle de Fronteiras (EES e ETIAS): Fique atento aos novos procedimentos biométricos de entrada na União Europeia.
9. Cronograma de Planejamento: O que fazer a cada mês
- 6 meses antes: Definir países, época da viagem e teto de orçamento;
- 4 a 5 meses antes: Comprar a passagem aérea internacional;
- 3 meses antes: Definir o trajeto entre cidades e reservar hospedagens estratégicas;
- 2 meses antes: Comprar bilhetes de trem/ônibus internos e ingressos das atrações mais concorridas;
- 1 mês antes: Emitir seguro viagem, carregar os cartões multimoedas e ativar o eSIM de internet internacional;
- Última semana: Fazer o checklist final de bagagem e documentos.
Organize seu Roteiro e Checklist no PlanoViajar
Montar uma viagem com vários destinos, reservas de hotéis, bilhetes de trem e controle financeiro não precisa ser um pesadelo em dezenas de abas abertas e planilhas confusas.
Crie o seu roteiro sem complicação:
No PlanoViajar, você monta o dia a dia da sua Eurotrip, conecta seus transportes, acompanha pendências de reservas e tem checklists completos para não esquecer nada — 100% gratuito e sem necessidade de cadastro inicial.
👉 Acessar a Plataforma e Começar meu Roteiro


